setembro 02, 2009

"De repente fico rindo à toa sem saber por que
E vem a vontade de sonhar de novo,
De te encontrar.
Foi tudo tão de repente,
Eu não consigo esquecer..."

Não havia nenhuma intenção de reencontro sob os meus olhos. Nenhuma pretensão de ir além de tudo que o tempo fez inerte.
Então silente, aceitei.
Sabia ser verdadeiro o que habitava dentro de nós e caminhei com essa graça.
Entendi a pausa dos anjos ao silenciarem nossas sentimentalidades. Ainda não era o tempo certo de colheita.
Acondicionei então todos os nossos afetos e entregas (as que sonhamos) no altar do meu sublime amor, e de primavera em primavera te regava com um algo a mais.
E tudo foi crescendo. Numa gestação de afeições aparentemente interminável, mas que eu saberia, um dia, explodir todos aqueles anseios que nos fizeram acreditar num encaixe eterno que jamais saboreamos.
Mesmo na graça desse amor, o que pulsava dentro de mim suplicava por seu toque, a maciez de seus beijos, a sua alma confabulando estórias de amor com meus segredos, e todo o êxtase que o seu olhar provocava no meu corpo, infinitamente seu cálice.
E nessa nova estação, eu seguia sem seus braços ternos para me apoiarem em qualquer ausência que me fizesse doer, latejar ou gritar pelo desejo do amor que eu sonhei um dia viver com você e não vivi.
Mas num céu em conspiração, percebi seu desenho tatuando novas formas em mim, e seus sinais iluminando esses meus olhos que um dia foram metade sem você.
Senti no arrepiar dos pêlos, o suspiro dos anjos. Nosso tempo, pensei!
E você veio inteiro, sem pensamentos ou coisa alguma aquém do que construímos, percebendo as minhas lufadas de amor que incendiavam o mundo, dentro e fora de nós.
E ainda anestesiados, nos aceitamos. Em cada centímetro dessa querência que sempre (ainda que ausentes) nos fez cúmplices e fiéis, e num ato supremo de chuva nos olhos e palpitações no peito, nos lançamos a um mesmo destino, que seria, enfim, nosso eterno abrigo.
Num sopro suave aos meus ouvidos, seu amor em sentinela real, (numa atmosfera que apenas nos cabe), fez juras que somente eu, sua parte inteira, fui capaz de decifrar.
E é assim que meus olhos de amor desejam dançar nos seus para tudo que vivermos hoje e para além de nós dois.

4 comentários:

Felinea disse...

Iza, menina linda, que doces as tuas palavras.

hoje estou de passagem rápida, pois a estrada me aguarda [férias!], mas eu volto logo para te dizer coisas :)

beijos doces.

Jaqueline Sousa disse...

"...percebi seu desenho tatuando novas formas em mim..."

O amor quando é de verdade, tem o poder de impregnar-se na parte mais íntima do coração, e embora o tempo tenha se encarregado de interromper o momento que era só de vocês, mas não conseguiu abrandar o fogo desse sentimento tão envolvente.

Ame, permita-se viver a intensidade do mais puro, leve e doce desejo desse amor, mana!

Larissa disse...

Eu tô amando a sua prosa, já disse isso mas faço questão de repetir. E vou sempre. Haha! E ainda mais com esses trechos no começo. Dá pra viajar mais ainda nas suas palavras, sabia? Linda, linda, linda e linda. Vem morar aqui perto de mim? :*

Sâmara disse...

Que coisaaa linda!
Os melhores momentos ocorrem de maneira inesperada..
Um sentimento verdadeiro nunca nuca se apaga, apenas adormeci.
“E é assim que meus olhos de amor desejam dançar nos seus para tudo que vivermos hoje e para além de nós dois.”
Que Deus cultive sempre o seu dom!
Beijooos